Velhos conhecidos
Todo mês, uma equipe do departamento de teledramaturgia do SBT, supervisionada pelo diretor David Grimberg, assiste a uma média de cinco a seis novelas da Televisa. A cada capítulo, o grupo faz um relatório completo, em que descreve a trama e avalia o interesse que a produção pode despertar no telespectador. Só depois de avaliar o relatório, Sílvio Santos decide o que vai ao ar. A estratégia parece estar dando certo. Afinal, sai dramalhão, entra dramalhão e a emissora mantém a inacreditável média de 15 pontos de audiência. Amanhã, o SBT estréia No limite da paixão, que substitui Primeiro amor a mil por hora no horário das 19h. ‘‘A receita do sucesso é a escolha da novela pela trama, pela realização, pela trilha sonora e pela escalação dos bons dubladores que vão dar o tom exato da emoção’’, arrisca David Grimberg.
As produções da Televisa já têm um público mais do que cativo no SBT. As tramas propriamente ditas não parecem lá ter tanta importância. Afinal, as novelas mexicanas, ao contrário das brasileiras, não têm dezenas de núcleos interligados por uma trama principal. Na maioria das vezes, a história é focada nos personagens principais. No caso de No limite da paixão, em Otávio e Ana Cristina, interpretados por César Évora e Suzana Gonzales, dois velhos conhecidos da audiência do SBT. Ele já fez Privilégio de amar e Abraça-me muito forte e ela, Preciosa e Amigas e rivais.
Como não poderia deixar de ser, Otávio é um homem cruel e impiedoso, que volta à cidadezinha natal para o funeral do tio. Lá conhece Ana Cristina e se apaixona pela mocinha da história, que foi criada justamente pelo tio do sujeito. A certa altura, um parente fuxiqueiro joga Otávio contra Ana Cristina e diz que ela seduziu o velhote para tirar dinheiro dele. O que já era desconfiança vira ódio quando Otávio descobre que só vai herdar a fortuna do tio se casar com... Ana Cristina.
‘‘As novelas da Televisa fazem sucesso porque apresentam histórias de fácil entendimento. Por isso, elas prendem tanto a atenção do telespectador’’, analisa Mauro Alencar, doutorando em teledramaturgia pela USP.

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